sábado, 10 de setembro de 2011

Encarando a Tempestade


MATEUS 14:22-27


Jesus ordenou que os seus discípulos entrassem no barco, e fossem adiante para o outro lado, enquanto ele despedia a multidão, logo em seguida ele foi orar. Tempos depois enquanto ele estava no monte o barco com os discípulos já estava em alto-mar sendo açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário.

Como explicar que os discípulos obedecendo uma ordem de Jesus, acabaram enfrentando uma grande tempestade em alto-mar, enquanto ele estava só em terra firme ?

Nem sempre uma ordem de Deus poderá ser cumprida sem problemas, é muito provável que enfrentaremos alguma adversidade, mas Deus é o responsável pela missão que dá e a conduz como quer.

Deus não nos chama para fazer em nossa vida tudo o que queremos, mas para atender a propósitos que vão além das nossas vontades.

Nos mandar ao mar, ou para terra firme, faz mais diferença para nós do que para Deus, isso porque ele tem poder sobre todas as coisas, e nós preferimos as coisas que achamos que podemos controlar.

Os discípulos podiam controlar um barco, mas jamais poderiam controlar a tempestade.

Por mais experiência que obtenhamos ao logo de nossa caminhada, sempre haverá algo incerto a nossa frente, isso nos põe em total dependência de Deus, mesmo pisando em terra firme. É óbvio que ninguém quer enfrentar tribulações, principalmente em cumprimento de uma ordem dada por Deus. 
Acontece que as "tempestades" tem sua utilidade, eu diria que elas são necessárias, elas nos molda, nos
prepara para a próxima etapa do propósito no qual estamos inseridos.

Os ventos contrários são um teste de resistência para nós. Muitos caem perante o vento por acharem que se algo está dando errado é porque Deus não está naquilo. Ora, se você " entrou no barco e foi para o mar" em obediência a Deus e se mantém assim, qualquer coisa que te faça retroceder nisso pode ser considerada um vento contrário.
O que o vento faz no mar é levantar as ondas para que elas levem de volta a praia aquele que se atreveu a navegar entre elas, o que Jesus faz no mar é dar as mãos a quem ao lhe obedecer se atreve a atravessá-lo. 

Repare neste texto que Jesus não fala em "abortar a missão", ou voltar a praia de onde saíram, ele apenas ordenou que o vento se acalma-se.Havia um lugar para que eles chegassem,há um propósito para se cumprir em sua vida, e quando você se atreve obedecer e ir de encontro a este propósito, o vento vem para tentar lhe fazer desistir. Mas quem crê em Deus não depende do vento estar a seu favor, pois o Senhor pode para o vento quando quiser.
Ele não apenas dá a missão como também é a garantia de seu cumprimento, segundo a sua vontade, seus planos, que podem ser diferentes dos nossos.Isso não faz com que o mar seja tranquilo todo o tempo, mas trás a segurança de que não morreremos na praia pois a há alguém cuidando de tudo.

Muitas vezes obedecer a voz de Deus é de certa maneira se lançar ao incerto, o que é perturbador, mas isso também nos  impele a buscar mais a Deus, até que cheguemos ao ponto de desejar aquilo que antes mais do que incerto parecia impossível, e até causasse medo.

Repare em Pedro quando ao ver Jesus andando sobre as águas, lhe pediu para ir ao seu encontro, num momento ele estava com medo como os demais, ao olhar para fora do barco e ver o mestre, ele sentiu a coragem necessária para sair do barco e viver o milagre de ser o único homem além de Cristo a andar sobre as águas.

As vezes gastamos tempo demais dentro do barco sendo açoitado enquanto Jesus etá do lado de fora.

A tempestade como já falamos representa as adversidades da vida, já o barco aponta para tudo aquilo que nos cerca e que de alguma forma nos proporciona alguma segurança, o mar é o caminho que há entre nós e o propósito de Deus pra nós.

Pedro nem esperou Jesus subir ao barco e nem acalmar o vento, mesmo no escuro e sem ver claramente quem era que se aproximava, ele sabia que se realmente fosse o Cristo, tinha poder poder para levá-lo ao seu encontro por sobre o mar, e assim foi, até que sentindo o vento forte duvidou que pudesse permanecer de pé sobre as águas.

Aprendemos aqui que mesmo sob as ordens de Deus nem sempre tudo sai conforme o esperado, e não porque Deus queira, e sim porque nas horas mais importantes acabamos duvidando, mas isto não compromete os planos de Deus. Jesus deu as mãos a Pedro e o trouxe a tona novamente.

As vezes é disso que precisamos, voltar a tona! Voltar a ver e ouvir Jesus durante a tempestade.

O milagre que Deus quer fazer na nossa vida nem sempre está dentro das circunstâncias normais, no lugar comum, na zona de conforto, as vezes é preciso se submeter ao risco das tempestades, e até mesmo sair do barco. 
Precisamos aprender o que é estar seguro mesmo sobre as águas, e isso só se aprende andando sobre elas, e por sua vez isso só é possível quando ao comando de Cristo saímos do barco.

Quando os discípulos chegaram ao outro lado do mar, ainda que passassem por alguma outra adversidade, a enfrentariam de uma maneira diferente, afinal quem vive uma experiência como a que eles viveram nunca mais é o mesmo.

Esse é o problema! 

As vezes muita coisas não mudam na nossa vida porque não mudamos também.
E se somos sempre os mesmos é bem provável que faremos sempre as mesmas coisas, portanto porque deveríamos esperar resultados diferentes?

Jesus poderia ter ido com os discípulos mas não fez, Deus permitiu que eles adquirissem aquela experiência. Deus usa a tempestade para nos tirar de dentro do barco nos levando a ter um encontro com ele sob as águas. Para nós o barco é mais seguro, mas pode não ser o lugar onde quer ter um encontro conosco, as vezes é preciso sair ao ao mar para descobrimos e vivermos o que Deus tem para nós.

Convergência Reinista 2018